sábado, 25 de novembro de 2017

Fantasma de Plástico

Fixado à pose, pela matéria dura imobilizado, preso ao 
instante como as fotografias, fantasma cativo de uma
sensualidade de que serve como suporte, Manequim!
Sutil é o desejo que bebo do olhar desses olhos ocos!

Não estando à venda, o que lhe resta quando te
compram o que vende? Possui alguma nudez? Ou está
vestido da rígida matéria lisa se é o ar de dentro, substância
lacrada escurecida pela noite do fechado?

Com a profundidade de sua superfície, na coincidência
fantástica do plástico morto com o mais vivo que a sua
forma traduz – aquém das estátuas mas além dos homens
que replicam a si –, agita em quem te vê isso que não se sabe.

(Bruno Holmes Chads)

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