cheiro de urina de fécula de urina adocicada e
casca de banana de manga rosa quando esmagada no chão o calçamento desliza nos
pés como se vocé estivesse entrando por uma região viscosa um aberto de vagina
em mucosa pedrenta tudo cheirando vida ou morte ou vidamorte um cheiro podre de
orgasmo rançoso e peixe e postas de carne ao sol a muleta solavanca um aleijão
que come farinha com dedos apinhados cor cafre café ocre moca o peito opoja
debaixo da fazenda rala e emborca para uma zona tórrida de coxas colantes e
grelo-fio-de-mel agora é a mulata de olhos bistrados que reolha um
espelho de lata e esmalte e correm para o oval de reflexos fósforos faíscas um
cio remontado de cachorros também cheiros gritos trilos psius o fartum da rua
em chaga exposta mas tudo reverte para um céu de ouro um céu de talha dourada
arcos e rearcos numa florada de florões com atalantes e cariátides e
anjos-fémea de brinco e coifa de cortezã índios e cocares também na selva
poliáurea onde troncos se desrolam e se desnastram em cachos e mechas de
amarelo-ovo garança e grená poém chagas num cristo marfinizado de pele cinamomo
e o cristo se crucifica no resplendor de prata que emite raios e ferrões logo
mais estarei falando da festa de iansã e de como no mercado das sete portas
branco-e-vermelho de bandeirolas pés trançaram capoeiras de mãos ariscas num
arame sonoro e monótono o livro recede diante do cumulado arrebol de torrões de
ouro mas se aplaca num claustro de azulejos legíveis e lavados gargareja a
fontana por um fio de água murmurina e o silêncio de filtros e feltros expulsa
os cristos gangrenados para o amarelo-hepatite do sol visguento e bexigoso feito
um rosto do alto da alegria vem bárbara fernandes aliás baby babynha vem
dançando de ubarana amaralina alegria a dança de iansã que protege das
trovoadas e se desnalga e desgarupa ou a santa nela minha mãe coroada de um
diadema de brilhos e a pequena espada no braço colado ao corpo quase roçando
por vocé rente rente ao ritmo de couros e agogôs no terreiro fechado de calor e
suor onde tudo parece não caber mas cabe e dança e bate palmas e grita em nagô
vocês têm que comer pelo menos a comida da santa aqui não tem cachaçada é ordem
e respeito se saem antes até parece que não gostaram até parece desfazimento no
fio do pescoço um dente de marfim miniaturado e na semana que vem tem outra
festa festa grande vocês chegam ficam conosco passam aqui a noite de manhã na
praia comem conosco e depois é festa festança mesmo a santa comia arroz com
frango acarajé caruru tudo dourado de dendé pois as mãos continuavam batendo a
noite que balançava das bandeirolas por furos de carvão ele regia as coisas e
as pessoas media e comedia o mulato canela dono sabedor da liturgia era ele
quem falava de respeito e de ordem quem propunha a comida e a festa grande
bárbara babynha olhos em alvo rodopia no espanto do sagrado e agora só me resta
uma frase que veio dar aqui por acaso e que eu repito como veio sem pensar
repito como o om da mandala refalo remôo repasso colorless green ideas sleep
furiously dormem incolores idéias verdes dormem furiosamente verdes dormem
furiosamente
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