Um poema que desaparecesse
à medida que fosse nascendo,
e que dele nada então restasse
senão o silêncio de estar não sendo.
Que nele apenas ecoasse
o som do vazio mais pleno.
E depois que tudo matasse
morresse do próprio veneno.
(Antonio Carlos Secchin)
segunda-feira, 15 de junho de 2020
sexta-feira, 5 de junho de 2020
Palavra final
Falo como as plantas.
Digo como as pedras.
Clamo como o réptil,
o miasma e o verme.
Quantas vozes tenho
quando estou calado?
Meu silêncio é a voz
vinda do outro lado
onde a escuridão
dispensa as palavras
a fala espantada
de quem sabe e cala.
(Lêdo Ivo)
Digo como as pedras.
Clamo como o réptil,
o miasma e o verme.
Quantas vozes tenho
quando estou calado?
Meu silêncio é a voz
vinda do outro lado
onde a escuridão
dispensa as palavras
a fala espantada
de quem sabe e cala.
(Lêdo Ivo)
Biografia
O poema vai nascendo
num passo que desafia:
numa hora eu já o levo,
outra vez ele me guia.
num passo que desafia:
numa hora eu já o levo,
outra vez ele me guia.
O poema vai nascendo,
mas seu corpo é prematuro,
letra lenta que incendeia
com a carícia de um murro.
mas seu corpo é prematuro,
letra lenta que incendeia
com a carícia de um murro.
O poema vai nascendo
sem mão ou mãe que o sustente,
e perverso me contradiz
insuportavelmente.
sem mão ou mãe que o sustente,
e perverso me contradiz
insuportavelmente.
Jorro que engole e segura
o pedaço duro do grito,
o poema vai nascendo,
pombo de pluma e granito.
o pedaço duro do grito,
o poema vai nascendo,
pombo de pluma e granito.
(Antonio Carlos Secchin)
Assinar:
Comentários (Atom)