Fugi do sonho,
moldei-me em vidro,
melhor corpo que tem para dançar.
Saio pela culatra,
em realidades de frieza oca,
pra jamais me lacrar em doces ilusões.
Quero a brutalidade
refinada da verdade
em vez da estúpida mansidão.
A decepção, calor novo,
um gosto de dor,
provo como um delicioso manjar.
Força decaída, robusto é o desmonte,
do monte nasce um monstro,
mas anjo sou.
Luzes e brilhos e cidades,
amor à indústria sem rancor,
sepulta a natureza, a falsa flor.
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