domingo, 18 de dezembro de 2022

Vidro

Fugi do sonho,
moldei-me em vidro,
melhor corpo que tem para dançar.

Saio pela culatra,
em realidades de frieza oca,
pra jamais me lacrar em doces ilusões.

Quero a brutalidade
refinada da verdade
em vez da estúpida mansidão.

A decepção, calor novo,
um gosto de dor,
provo como um delicioso manjar.

Força decaída, robusto é o desmonte,
do monte nasce um monstro,
mas anjo sou.

Luzes e brilhos e cidades,
amor à indústria sem rancor,
sepulta a natureza, a falsa flor.

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