Fora da gramática, quem sabe,
Possa se dizer palavras tortas
Que falem daquilo que não cabe.
Um incômodo, evento mudo,
Dor sem cor, maior que o mundo
Pode em flor tudo transformar
Se por sorte esbarra ou tropeça
Em restos, sobras, coisas
Que pra muitos têm que jogar fora.
Da aflição, então, faz-se uma dobra
Um clarão que chega sem aviso
O que não havia agora aflora
Força sem medida, novo brilho.
Quando estala o espelho, o divino
e o outro lado se confundem,
outra voz pode então brotar
do porvir, da vida sem destino,
do amor pelo acaso
do tempo que não tem hora.
Uma inquietação que não tem forma
Fora da gramática, quem sabe,
Possa se dizer palavras tortas
Que falem daquilo que não cabe.
Fora da gramática, quem sabe,
Possa se dizer palavras tortas
Que falem daquilo que não cabe.
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