Ele é de madeira,
cristal e bonito. Tem
porta e fecha dentro de si
mais do que contém.
O mofo em seu interior diz
isso que guarda: é a mim.
Mesmo cheio de velharias,
os seus parcos espaços que
restam são fendas minhas
de sonho. Outro dia, presente
de casamento; hoje, mero
móvel, brisa de tempos
idos, já sem data. Mas o tanto
esquecido lá dentro talvez
importe menos do que o
que se passou em seu
entorno, que deixou em
sua madeira marcas que
as palavras que nada
dizem tentam lhe arrancar:
restos de risos, de perfumes
doces em peles velhas,
fumaças dos cigarros
em movimentos de sedução
nos ares do interior da casa
hoje demolida em que
morava a família em ruína.
(Bruno Holmes Chads)
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