Releio amado poeta
e não reencontro o que li.
Sem dúvida: é o mesmo livro
que tanto li e reli.
Onde as graves emoções
em que outrora me perdi,
os densos sopros de alma
em que chorei ou sorri?
Por mais que releia o livro,
não vejo o que vi ali.
Terá mudado o poeta,
ou me enganei no que li?
Não, não mudou o poeta,
nem me enganei no que li
na voz serena dos versos
em que chorei ou sorri:
é que o leitor do poeta
foi um que em mim já perdi.
(Ruy Espinheira Filho)
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